terça-feira, 10 de novembro de 2009

DISCURSO DE ABERTURA DE UM CONGRESSO DE VIOLA

Boa Noite!

Minhas Senhoras e Meus Senhores. Enquanto não começamos o nosso evento, vamos conversar um pouco.


Bom! Em se falando de cultura popular, foi constatado em números, que o Brasil ficou em penúltimo lugar, como país empreendedor cultural. E o que significa para nós isso? Que se cruzarmos os braços, a nossa cultura tradicional se perderá no tempo e no espaço.

Ainda é o Nordeste, a região mais rica em cultura, no nosso País. Apesar do preconceito social, do preconceito linguístico, sofrido pelos nordestinos em outras regiões, fora o Nordeste o manancial do desenvolvimento nacional em todos os segmentos, pois bem sabemos ser o solo nordestino o primeiro a ser tocado pelos colonizadores, ao lado do Velho Chico, a nossa maior riqueza natural.
Como fomos informados, neste evento: “A Noite das Violas”, vamos apreciar repentistas versando variados temas, utilizando a própria alma, engenho do improviso, obedecendo a estrutura poética dos antigos cordelistas, elevando a memória do pai da poesia popular, Augustinho Nunes da Costa, teixeirense, que foi sucedido pelos seus filhos Nicandro e Ungulino do Sabugi, entre outros nomes.

Sabendo-se que a poesia popular surgiu ainda no século XVIII, nas mediações da Vila Santa Madalena, hoje, cidade do Teixeira. Fluída da linguagem tradicional da família Batista, em que, ensaiaram transformando as histórias de trancoso, que escutavam dos pais, em versos cantados no pé de parede, dos quais, foram desperdiçados muitos deles.

Em função do alongado tempo de sua oralidade, só tivemos os seus registros, a partir da idéia de Leandro Gomes de Barros - pombalense, que convivendo em Teixeira com a família Batista, adquiriu a habilidade poética, embora não sendo repentista, foi pioneiro na publicação do cordel.
Essa maneira singular e rica da nossa cultura, só ganhou espaço nas mesas dos intelectuais, a partir de dezembro de 1955, quando foi especulado e divulgado pelo estudioso, Orígenes Lessa, através de artigos em revistas estrangeiras.

Nesse período, é que muitas pessoas se despertaram para a beleza da poesia popular. Porém, nem todas as pessoas que persistem afirmar em conservar a nossa cultura, a nossa tradição, têm alma predisposta a conceber a pureza dessa forma de cantar e encantar o mundo, e de cantar a vida com tudo que faz parte dela.

E posso afirmar para vocês, que a beleza da alma humana está intrínseca e sintetizada na linguagem poética. Não sou poeta ou poetisa de improviso, como queira chamar. Mas, quero apresentar para vocês, meu primeiro soneto, e primeiro passo para trilhar o caminho da cultural, que certamente quem conhece a história do nosso herói Augusto dos Anjos, verá a força de resumo que tem a poesia, pois nela podemos entender geração, vida e obra desse grande destaque histórico da Paraíba.

Escritor frisador de um símbolo
Que marcara sua vida desde o feto
Iluminação de um mundo moribundo
A infância prendada que o afeta.

Por viver entrelaçado ao desânimo
Decadência de uma vida soberana
Desviou-se para a vida arduânea
Onde expressa-se igual o “filho da morte”.

Pois te vejo entre todos os humanos
Sendo símbolo deste tamarindo amado
A fujância vitalina conterrânea

És pra mim simbolicamente tudo
Que exprime esta minha inspiração
Sua vida foi de muita marcação.

A minha afeição vem desde criança, quando meu pai fazia dos versos, cantigas de niná, despertando a minha curiosidade, e me levando a decorar vários deles.
Hoje, sou um pouco poetisa e como Leandro, sou fraca de improviso, mais mesmo assim, teimo em abrir este festival:


Dentre as artes culturais
A de versar, é mais bela
Maria, Cristina e eu
Aprendemos gostar dela
E com Geralda Medeiros
Propomos o mote primeiro
Ficando de sentinela.



Aos poetas convidados
doutores do improviso
Sugerimos o cangaço
Um tema de compromisso
Em uma vertente forte
Que não os deixe tão pobre
Finalizando com o mote

Foi cangaceiro de sorte
Virgulino, o Lampião
O mal que lhe trouxe a morte
Foi ser o Rei do sertão.








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