terça-feira, 27 de outubro de 2009

Serei sempre uma Maria...


Há três anos e meio coleciono o Jornal Folha Patoense e desde o início, quando recebo o seu exemplar, costumo parar o que estou fazendo, para lê-lo. Não é para folheá-lo, o leio integralmente. Mas na última edição não consegui manter a minha atitude. Antes de lê-lo, folheie-o observando cada figura, cada manchete, e fiz uma reflexão do quanto evolui por haver escolhido a cidade de Patos para morar, amar, e, sobretudo, para contribuir socialmente para com o seu progresso. Sendo este, um compromisso em longo prazo.
Quantas pessoas inteligentes são reveladas pelo nosso editor, patoense como eu, por opção. A única diferença entre nós é que não deixei de amar a minha terra-berço. Olho D’água acompanha o meu dia-a-dia, no coração e muitas vezes paro à observá-la, e refletir os bons momentos que tive entre amigos, entre irmãos. Apesar de algumas dificuldades especiais na minha infância/adolescência, fui muito feliz, naquelas ruas descalças. Muitas vezes inundadas, em que meus colegas me atravessavam de colo para irmos à escola. Belos tempos. Eram tempos de amor mais puro, mais sincero.
Ao ver a capa do jornal, que sempre nos traz um espelho de criatividade. Sorri!
Achei Naborzinho um charme, de Homem Aranha.
Lá estava também, o amigo Dineudes. Sombrio! Utilizava o Cabeção como escudo, mas, vencendo os obstáculos de sub-popularidade, não por orgulho, por posição social mesmo. Pagando o preço de conviver distanciado da massa, mais marcando presença e competitividade.
Estão no campo de batalha e Deus faça vencer o que for melhor para o crescimento de Patos.
Vendo tudo isso, surgiu no meu subconsciente a liberdade de externar os meus pensamentos, que é castrada para muitos dos meus conterrâneos. Daí surgiu também, o jornal da minha cidade, em que eu o editava contracenando com a última edição do jornal mais lido de Patos, o Folha Patoense.
A capa seria um Rei coroado no seu Trono, ladeado de sacos de dinheiro. O meu jornal fictício caminhava contracenando com este passo a passo, me proporcionando risos e lágrimas, e, alçando a página 07, me encontrei em retratação:
Ontem falei: Vamos votar nele!
Hoje eu escrevo: Façamos valer os seus méritos!
E votamos em branco, é o certo!
Respirei profundamente. Haa! Aqui eu posso falar, estou em Patos!
Onde há liberdade de expressão, o que não é oferecido a muitos irmãos olhodaguenses. Sentem, pensam. Mas não muito alto. Alguém pode sentir o seu pensamento, e isso pode lhe causar algum prejuízo.
Isso é o fim, amigos leitores. Eu repudio o egocentrismo de tal maneira, que não posso apenas ter a consciência do que ocorre, mas sinto a necessidade de revelar para o mundo. Afinal, Deus é que me deu liberdade de pensamento, liberdade de ir e vir. Deus é que me deu a oportunidade de nascer entre aquele povo, crescer amando-os, para nunca mais esquecê-los.
Enfim, foi o mesmo Deus que poderá permitir que seja punida por estas palavras. E, certamente Ele mesmo me dará forças para resistir essa punição. Sou democrata e não abro mão disso.
“A esperança é a última que morre” é um ditado popular bem conhecido. Mas, será que os meus conterrâneos têm esperança de dias melhores? Muitos me disseram que não. Mais foram muitos mesmo. Foram todos aqueles que confiam em mim, e que sofrem com a paralisação de progresso que parece ser eterna.
Permita-me amigo Wandecy! Permita-me usar este espaço para rejeitar a indiferença de um governante para com uma relíquia, como é obra que construí com tanto esforço, Olho D’água – A Princesinha do Vale, em que narra com tanto amor a nossa história, embora, imperfeita, mas é a história do nosso povo, e me ordenara juntar todos os exemplares para retirar o seu nome, que embora ainda em fase de compactação, não poderia fazer isso, porque para nossa infelicidade é dirigente daquele município.
Eis uma forte razão de concordar com a flexibilidade humana, e dizer publicamente: Eu errei quando votei no próprio, nas eleições passadas. Mas o homem inteligente é flexivel, como revela-se retratação. Já diziam os filósofos da antiga Grécia: O homem inteligente não entra duas vezes no mesmo rio. Eu digo: A mulher inteligente não vai e volta pelo mesmo caminho. Está sempre buscando caminhos novos para obter resultados diferenciados.
Quando morrer, quero ser lembrada pelos meus conterrâneos, não como uma medrosa, como uma Mariazinha, como fala Marta Suplicy, em seu livro de Maria a Mariazinha, mas como a pessoa que quis ser durante toda sua vida: simples, honesta, pobre, e, sobretudo, pensadora e formadora de opinião.


SETEMBRO DE 2004

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